Na escassez de palavras o pensamento se priva de verbalizar a idéia. Por que elas fugiram, me deixaram? Sinto a ausência de verbos que incentivem a ação, a motivação. Não encontro mais adjetivos para qualificar nada. Aliás, não encontro nada que mereça ser qualificado. O pensamento segue em busca de algo que o incentive. Pois bem, ainda sobram os substantivos. Não, não seria por aí. E tudo é nada, incompleto, irreal. Uma onda de vazios, brancos, incolores. Uma cascata de letras repetidas sem combinação. Completa ausência, ou seria melhor dizer vacância. A alienação prosasse até que um pontinho, o menor de todos, resolve se destacar. Tímido, desponta num tom amarelo forte. Aos poucos vai tomando forma, ocupando o espaço vazio, faz-se notar e, insistentemente, brilha. Meu olhar segue em êxtase o movimento do belo girassol que se rende, graciosamente ao sol. Vida, movimento, beleza, simplicidade, entrega gratuita, suavidade, inspiração divina que completa e edifica.
Josi Barboza
Código do texto: T4255404
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